Por onde eu começo?

Desde que eu comecei o site, muita gente veio falar pra mim que gosta da ideia de levar bentô para o trabalho, mas não sabe nem como começar. De fato, pra quem não tem o hábito de preparar as próprias refeições, levar o próprio almoço todos os dias parece uma realidade distante. Mas é menos complicado do que se imagina. Exige alguma força de vontade e um pouco de paciência, mas definitivamente não é difícil, e os benefícios para sua saúde e seu bolso compensam – principalmente aqui em São Paulo, onde almoçar todos os dias fora com alguma qualidade costuma sair BEM caro.

Um dos meus primeiros bentôs, do ano passado

Pensando nos iniciantes, então, estou fazendo uma série de posts com o básico do básico. Algumas coisas podem parecer óbvias para o veterano; mas acreditem, às vezes o que parece senso comum é esclarecedor para quem nunca parou para pensar sobre o assunto nem tem experiência acumulada de queimar coisas, exagerar no sal, cozinhar algo demais, ou menos do que deveria…

Antes da parte prática, porém, seria interessante ter mais claro quais são as suas necessidades e suas limitações ao começar a preparar sua própria comida. É importante porque a escolha de alimentos, equipamentos e o tempo que você terá que dedicar aos bentôs tem relação direta com seus objetivos. Será que bentô cabe na sua rotina? Esse roteirinho é descaradamente baseado nos Bento Basics do blog Just Bento, que eu acho bastante úteis.

Motivos fazer bentô

    1. Preocupação com a saúde

O bentô é uma ferramenta poderossíssima de reeducação alimentar. Se o seu objetivo é comer melhor, o seu foco é na variedade e qualidade dos alimentos. Isso significa que você provavelmente terá que dedicar algum tempo quase diariamente ao preparo de suas refeições – e talvez aos finais de semana. Significa também que você deve considerar a possibilidade de gastar mais com alimentos de melhor qualidade, como marcas confiáveis, ingredientes frescos e orgânicos – mesmo assim, dificilmente gastará mais do que almoçando fora todos os dias, e com certeza gastará menos com remédios.

    2. Economia

Se o objetivo principal é gastar menos, o bentô pode te servir muito bem. Um almoço em um restaurante por quilo bem mediano aqui em São Paulo não costuma sair por menos de uns R$12. Na praça de alimentação de um shopping, podemos considerar uns R$20. Multiplique isso por um mês, e veja quanto do seu salário você está gastando para se alimentar no meio do expediente. Com R$30 em uma feira livre, você compra comida para a semana. Um pacote de 5kg de arroz comum custa menos de R$10, e para uma pessoa, dura quase um mês… E por aí vai.
Nesse caso, é importante considerar o tempo de preparo dos alimentos – lavar legumes, verduras e frutas (pré-lavados são bem caros!), escolher grãos, cozinhar, limpar tudo, guardar… Fora que os alimentos mais baratos não necessariamente são os melhores para a sua saúde. Miojo é baratinho, mas em valores nutricionais, é quase como jantar um pacote de batatas chips.

    3. Restrições alimentares

Se você é diabético, hipertenso, tem intolerância a lactose ou a glúten, ou possui alguma alergia alimentar, bentôs são perfeitos para você, porque terá absoluto controle de tudo o que ingere. Isso vale também para vegetarianos, vegans, crudívoros etc. Evitar industrializados (e seus aditivos misteriosos) nesse caso é importante, o que pode dar um pouco mais de trabalho na preparação dos alimentos.

    3. Controle de porções

Para quem quer perder peso, o bentô é uma ferramenta fantástica que atua em duas frentes: reeducação alimentar e controle da quantidade de alimento ingerida – a refeição está lá, completa, na caixinha, e você não tem como cair na tentação de encher o prato com lasanha e batata frita no buffet do quilinho. A escolha dos alimentos nesse caso é o mais importante: equilibrar carboidratos e proteínas de boa qualidade com alimentos pouco calóricos, e caprichar na variedade e nas fibras para dar saciedade. Pode ser interessante, também, fazer vários pequenos bentôs, e intercalar refeições leves com frutas ou cereais, por exemplo.

Se você se recupera de alguma desordem alimentar grave (como anorexia ou bulimia), refeições planejadas de acordo com suas necessidades, na quantidade adequada, vai diminuir muito as chances de você perder a noção do quanto já comeu ou precisa comer.

    5. Diversão

Quer melhorar suas habilidades culinárias, ou se divertir fazendo aqueles bentôs elaborados lindos de morrer? Perfeito! Dê uma olhada em sites especializados (o Bento & Co, por exemplo) e encha seu carrinho de compras com bentô boxes diferentes, acessórios, kits para charaben… Faça a festa em mercearias orientais, frequente sites com dicas de decoração e, quem sabe, participe de concursos! Prepare-se para desembolsar algum dinheiro, e se for realmente comer, cuidado com alimentos industrializados “bonitinhos demais” – em geral, eles têm excesso de corantes, conservantes, aromatizantes, sódio, e outras coisas que não são boas para você.

Para referência, minha prioridade ao preparar meus bentôs é preocupação com a saúde > economia > hobby> restrições alimentares* > controle de porções.

*Minhas restrições não são muito severas – sou alérgica a alguns tipos de conservantes e aromatizantes, então só evitar industrializados (nuggets, biscoitos, temperos prontos etc) e embutidos (salsicha, presuntos etc) já me basta.

Motivos para NÃO fazer bentô
(ao menos não diariamente)

    1. Não tem tempo nenhum MESMO.

Acontece. Cozinhar, mesmo que coisas práticas, leva tempo. Se não cabe de jeito nenhum na sua rotina (e você está feliz com ela, ou não pode mudar agora), talvez seja o caso de adiar um pouco as atividades bentoísticas. Ou preparar só de vez em quando. Uma sugestão é começar a usar o final de semana para preparar o bentô da segunda-feira (que tal aproveitar e aderir à Segundas Sem Carne?). No final do mês, dá pra pagar uns dois cinemas. :)

    2. Alguém já cozinha para você.

Se você mora com seus pais ou um companheiro que já cozinha, talvez você não precise preparar comida especialmente para o bentô. Aproveite as sobras do jantar, e complemente com uma coisa ou outra preparada por você. Ou ainda, passe o link do Brasil Bentô para dar umas ideias. 😀

    3. Você tem acesso a um bom refeitório na escola, faculdade ou trabalho, ou tem verba para alimentação.

Nesse caso, veja se a equação tempo-saúde-dinheiro compensa. Talvez você possa usar seus impulsos bentoísticos em ocasiões especiais, ou para fazer pequenos lanches para comer no meio da tarde.

***

No próximo post, princípios básicos de nutrição FOR DUMMIES e como escolher a bentô box ideal para você.

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